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Inovação na retomada exige revisão das prioridades e manutenção do engajamento

Rodrigo Burgers


Antes da pandemia, a gestão da inovação já apresentava diversas dificuldades para ser implementada com sucesso. Agora, passados alguns meses, o desafio ganhou ainda novos contornos. O vírus, que ainda circula, tem causado perdas irrecuperáveis de vidas, e prejuízos que serão por um longo tempo sentidos na economia.


Para ilustrar , o PIB caiu 9,7% no segundo trimestre, a pior queda desde o início da série histórica iniciada em 1996. Junto com isso, mais de 8 milhões de pessoas perderam seus empregos e mais de 700 mil empresas encerraram suas operações.


Enquanto este quadro se desenhava, de uma forma ou de outra, a maioria das empresas passou por três fases distintas de gestão. A primeira delas foi a do susto, na qual o grau de incertezas e as especulações eram muito altas e por isso ações drásticas de redução de custo e preservação do caixa foram geradas. Depois, em um segundo momento, começou-se a entender melhor onde seria a real demanda de seus mercados, suas quedas e até crescimentos, e o foco da gestão em cuidar da nova dinâmica de trabalho em home office. E por fim, a fase que estamos vivendo agora, iniciando os planos e estratégias para se recuperar e aproveitar as oportunidades trazidas pelo novo contexto


Todo este cenário produziu, compreensivelmente, uma pressão ainda maior para reduzir os recursos destinados a projetos incertos, mudanças na forma de trabalhar e maior dificuldade no entendimento dos impactos nos hábitos dos consumidores.


Mas apesar de todas as incertezas em navegar por mares tão turbulentos, algumas empresas estão conseguindo ajustar as velas para encontrar o rumo e manter o ritmo da inovação corporativa. Quem também quiser aproveitá-las poderá adotar basicamente as seguintes estratégias:


1) Redefinição do portfólio de inovação: muitas empresas estão revisando o portfólio de inovação, reduzindo os investimentos em projetos mais incertos e de longo prazo, para inovações de curto prazo, com foco em geração de receita adicional ou redução de custos. Esse tipo de revisão é importante pois, nas empresas mais afetadas pela crise, alinha a estratégia do negócio com os desafios de inovação, gera engajamento e consequentemente resultados concretos. Exemplos clássicos desse ajuste são as reduções em investimentos em P&D para ações de transformação digital, novos canais de vendas e relacionamento com o consumidor. É preciso ter cuidado, no entanto, para não comprometer a geração de valor de longo prazo.




2) Revisão das tendências, hábitos e necessidades dos consumidores: o impacto da crise será forte não só na economia como também na forma como as pessoas vivem e consomem. Alguns hábitos serão completamente alterados e outros potencializados. Como será a indústria do turismo? A Alimentação Saudável? Os cuidados com a saúde? A grande tendência de urbanização continuará a ganhar força com a possibilidade de trabalho remoto? Essas são algumas perguntas que devem ser exploradas pelas empresas a fim de enxergar onde estarão as oportunidades futuras para redirecionar os investimentos de produtos, serviços e modelos de negócios.




3) Gestão do time de Inovação: se o modelo mental de geração de resultados a curto prazo já impactava os esforços da inovação, agora isso ficou ainda mais forte. Portanto manter um propósito de inovação claro, estimular a comunicação remota e aprender e disseminar ferramentas de colaboração online que permitam o engajamento e co-criação dos times de inovação mesmo remotamente serão fundamentais.


De fato, os desafios aumentaram, mas a inovação não pode parar. A inovação corporativa já está presente nas nossas vidas há algumas décadas, e essa não foi a primeira e nem será a última crise. Portanto, ajuste a velas, se comunique bem e siga inovando.


(*) Rodrigo Burgers é Consultor de Estratégia e Inovação da Play Studio, consultoria de consultoria de Inovação e venture builder



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