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Como não se surpreender com a fatura de Cloud




O departamento financeiro de uma determinada companhia se programa para arcar com um custo mensal de US$ 50 mil pelo uso total de cloud em suas operações, mas quando chega a fatura, os responsáveis pelo pagamento descobrem que este valor foi multiplicado por cinco. Por incrível que pareça, este tipo de susto não tem sido nada raro no mundo corporativo levando os especialistas à busca frenética por uma vacina que consiga diminuir tanto a frequência quanto a intensidade ou, na melhor das hipóteses, até mesmo eliminar sua ocorrência.


Mas antes de entrar nos detalhes sobre os princípios ativos desta vacina, é preciso eliminar o mito de que sustos só ocorrem por erros de planejamento. A gama de situações com potencial de multiplicar o uso da nuvem é tão variada que se pode afirmar sem medo de errar que absolutamente todas as empresas estão sujeitas a se deparar com este tipo de surpresa desagradável a qualquer momento.


Um bug técnico qualquer em um determinado sistema pode causar um uso excessivo de nuvens. Outra possibilidade é a ocorrência de um ciberataque no qual agentes infiltrados permaneçam por longos períodos gerando uso indevido de nuvem para diversos propósitos sem que a companhia saiba.


Além destas possibilidades aleatórias de geração de uso indevido da nuvem, existem inúmeras outras, mas felizmente existem definições estratégicas que podem ser tomadas para reduzir o uso deste insumo. Por exemplo, em empresas de setores da economia sujeitos a sazonalidades, como a venda de ingressos para eventos, ela sabe que a demanda em seu e-commerce aumenta consideravelmente em datas específicas. Então ela pode se programar para ativar recursos que ampliem sua capacidade de processamento apenas nestes períodos, mas depois após o atendimento da sazonalidade, ela pode desativar estes recursos. Afinal, no restante dos dias a demanda incorpora um ritmo normal que torna desnecessário o acréscimo.


Considerando o caso da empresa que gasta US$ 50 mil por mês com nuvem, é fato que qualquer variação que reduza esse custo, corresponde a um benefício para a companhia.


Diante deste cenário, as empresas estão empolgadas com o desenvolvimento da prática do FinOps, resultado da junção entre “Financial” e “Operations”, que se desenvolveu como uma abordagem para otimizar e garantir que as empresas utilizem seus recursos de maneira eficiente e estratégica. Ela é definida pelo Conselho Consultivo Técnico da FinOps Foundation como “uma disciplina e prática cultural de gerenciamento financeiro em nuvem em evolução que permite que as organizações obtenham o máximo valor comercial ajudando as equipes de engenharia, finanças, tecnologia e negócios a colaborar em decisões de gastos baseadas em dados”.


Em outras palavras, se trata da habilidade de fazer análises de infraestrutura na nuvem para implementar controles e melhores práticas de gerenciamento de recursos. Simplificando ainda mais, os profissionais de FinOps têm a responsabilidade de fazer com que a empresa consuma apenas e exatamente aquilo que ela precisa para atender as suas necessidades. Então, não é uma questão apenas de definir custos ou recursos. Mas sim de escolher também como utilizar, em que horário, como otimizar e no final do dia, ter a certeza de que a empresa pagará apenas o que faz sentido para cada aplicação, serviço ou modelo de negócio.


Com este escopo como referência, o FinOps não se restringe aos serviços de uma consultoria estratégica para o uso de nuvem. Ele está sendo cada vez mais considerado como um serviço continuado porque as empresas têm áreas de TI ativas. No dia a dia vão ter serviços extintos, outros serão criados, alguns serão diminuídos e outros aumentados. O perfil do cliente muda conforme a dinâmica do negócio. Basta que se faça alguma nova campanha de marketing, implemente uma nova planta fabril ou uma nova tecnologia que vá reduzir significativamente seu esforço operacional para que mude toda a configuração impactando no consumo de nuvem. Por isso, na prática, não há momentos em que sejam considerados desnecessários os serviços do FinOps.


Ocorre que esta disciplina ainda passa por momentos de ajustes. Há um esforço sendo feito no sentido de padronizar as práticas. Criar uma lógica uniformizada para a prestação deste serviço. Uma das grandes dificuldades é estabelecer critérios. Hoje cada um pensa de uma forma sobre a formatação dos custos, sobre como administrar esses custos e outras definições.


Embora no final do dia o objetivo comum não fuja da eterna busca por atender 100% da necessidade do negócio gastando o mínimo possível, se trata de um ambiente muito mais volátil que exige uma articulação maior para a obtenção de consensos.


Neste sentido, a comunidade brasileira dedicada ao tema teve uma oportunidade no final de março de avançar durante o meetup Cloud FinOps Brasil, evento organizado pela Fundação FinOps, programa da The Linux Foundation dedicado a promover pessoas que praticam a disciplina de gestão financeira em nuvem por meio das melhores práticas, educação e padrões.


O encontro proporcionou que os participantes ampliem o conhecimento sobre FinOps e estejam mais preparados para aplicar esses conceitos em suas operações, buscando otimizar o uso dos recursos financeiros e aumentar a eficiência de seus projetos.

Seja como for, o fato é que no futuro próximo nenhuma empresa de médio e grande porte poderá se dar ao luxo de funcionar sem contar com a prática FinOps.

Essa disciplina vai figurar na prateleira de serviços prestados pelas empresas como a vacina que previne ou mitiga os efeitos indesejados de custos imprevistos.


* Danilo Silva é Gerente de Cloud Services da Sencinet, Cloud Services é o Portifólio da Sencinet que endereça os temas de Serviços Profissionais, Cloud e Data Center na América Latina.


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