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Com margens em queda, agronegócio busca capital

Aumento do preço dos insumos e repasses menores comprimem o caixa das empresas. Desintermediação é a saída encontrada.




O aumento do preço dos insumos do agronegócio, intensificado pela crise dos fertilizantes, tem sido um fator de pressão no caixa das empresas e as perspectivas para os próximos meses não são de reversão do cenário. Apesar do arrefecimento do petróleo, que reduz os custos com transporte, outras matérias-primas vão continuar impactando a margem das empresas, o que eleva a demanda por capital de giro, algo que o mercado de capitais passa a prover, pois as linhas de crédito convencionais não têm suprido a necessidade das empresas.

“Assim como o valor dos insumos subiu acima do preço dos produtos, o fato é que a necessidade de capital de giro nos últimos anos cresceu bem mais que os limites de crédito bancário. Em 2 anos, o custo médio de produção aumentou mais de 150% e não vemos as instituições financeiras ampliando as linhas nesta mesma proporção”, destaca André Ito, gestor da MAV Capital. Além disso, houve o aumento da taxa básica de juros que, nos últimos 12 meses passou de 2% ao ano em janeiro de 2021 para os atuais 13,75% ao ano, o que impactou diretamente o custo dos empréstimos.

O problema não é novo, mas foi agravado pelo conflito da Rússia com a Ucrânia. A alta dos fertilizantes começou em março de 2020, por conta da pandemia de covid-19, que prejudicou a estrutura logística e levou à ruptura do abastecimento. Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que, de março de 2020 a março de 2022, os preços do potássio subiram 269% e do fósforo 239%. Já o preço médio da ureia importada pelo Brasil, que em janeiro de 2018 era de R$0,84/kg, passou para R$3,74/kg em junho de 2022, alta de 345,4% no período.

As commodities registraram alta, mas em magnitude bem abaixo do aumento dos custos. Dados do Cepea destacam que entre o final do primeiro semestre de 2018 e mesmo período de 2022, o preço do boi gordo subiu 117%, do milho 161,9% e da soja, 171,4%. Diante deste cenário, percebe-se que a tendência é de compressão de margens e, por consequência, maior demanda por capital. “Empresas com faturamento de até R$ 1 bilhão, consideradas pequenas para acessar o mercado de capitais, seja através de ações ou debêntures, passaram a se financiar através do crédito estruturado e, neste sentido, os Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) ganham protagonismo”, diz Ito.

Autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto do ano passado, os Fiagros surgiram justamente para preencher uma importante lacuna do mercado, ao possibilitar que as pessoas físicas passem a financiar o setor. Somente nos seis primeiros meses deste ano foram R$ 3 bilhões em emissões destes fundos, segundo a Anbima e a tendência é de continuidade do crescimento. Segundo Ito, a entrada de mais possibilidades de financiamento é muito saudável, pois supre uma lacuna aberta por conta dos aumentos dos preços dos insumos e da falta de crédito.

“Os Fiagros têm a importante missão de democratizar os recursos unindo investidores que querem diversificar suas carteiras e empresas do agronegócio demandantes de capital. Todo esse processo de desintermediação aproxima o tomador do campo com o investidor. O primeiro consegue captar recursos a uma taxa mais acessível e o investidor obtém uma rentabilidade acima dos títulos tradicionais do mercado. O processo de desintermediação é contínuo e vai continuar se solidificando nos próximos anos”, afirma o gestor da MAV Capital.

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