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Apoio visual e oratória são aliados do profissional da arbitragem

A dica aqui é trazer desde o começo qual a moral da história e ser didático




Alternativa crescente aos desgastantes e morosos processos judiciais, a arbitragem tem se mostrado benéfica tanto para advogados quanto clientes para trazer mais agilidade e economia. Trata-se de um método em que as partes em conflito elegem um profissional ou entidade privada para solucionar a controvérsia existente, sem a participação do Poder Judiciário. Este campo de atuação – que vem atraindo cada vez mais profissionais – demanda, entretanto, mais do que competência técnica. Em um procedimento arbitral, que tem um rito menos solene e mais moderno, uma boa apresentação pode fazer a diferença entre perder e ganhar a causa.


Use o visual a seu favor


Cerca de 90% das informações que chegam à nossa mente são fruto de estímulos visuais. Isso significa que quando um advogado descreve os fatos ocorridos no caso de maneira genérica e abstrata, é exatamente assim que será a compreensão dos árbitros. Por outro lado, se valer de histórias que contenham detalhes visuais que evoquem a cena a partir da descrição, da mesma forma que um livro, com meras palavras, transporta seus leitores através do tempo e do espaço.


Mas na arbitragem, o visual pode ser levado a outro patamar: por que não se valer de uma bela apresentação de slides para facilitar a compreensão? Imagine que em um dado caso seja importante sustentar que estamos vivemos em um contexto marcado por uma instabilidade econômica, política e jurídica. O que é melhor? Apenas descrever ou projetar um slide com a bandeira do Brasil em preto e branco, com a palavra CRISE, enquanto você calmamente descreve um cenário desconcertante? Slides não ajudam apenas seu interlocutor a entender melhor, mas prendem a atenção e evitam que se perca alguma informação chave por mera distração.


A arte da simplicidade


Outro aspecto integrante dessa equação é a capacidade de expor com clareza as questões-chave do caso. A advocacia tem uma tendência a ser exaustiva nos seus argumentos. Muitas vezes, por não saber a posição doutrinária ou jurisprudencial de um juiz sobre determinado ponto, advogados criam várias linhas argumentativas subsidiárias. É claro que detalhes são importantes, mas é fundamental ter em mente que complicar demais um caso pode deixar seu interlocutor muito mais desconfiado do que convencido.


A dica aqui é trazer desde o começo qual a moral da história e ser didático. Isole os pontos controversos. Este é um caso sobre culpa. A outra parte diz o que houve nessa conduta e nós vamos provar que não. Simples, fácil, convincente.

Investimento que vale a pena


Design gráfico, storytelling e neurociência aplicada ao convencimento certamente não fazem parte do dia a dia da advocacia. E considerando que procedimentos arbitrais costumam movimentar valores muito altos, contratar um especialista para capacitar o time ou produzir materiais de apoio para causas ad hoc, é um investimento com altíssimo potencial de retorno. Afinal, não se trata apenas de ser mais convincente; se trata de ser mais convincente do que a outra parte – e no litígio, isso faz toda a diferença.


André Arcas é fundador e coach de palco da Arcas Treinamentos. Advogado formado pela USP, estudou empreendedorismo e inovação por Stanford, negociação e liderança em Harvard, além de storytelling pela IDEO e programação neuro-linguística pela SBPNL.

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