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A dimensão na humana como variável no Gerenciamento de Riscos

As atividades envolvidas no Gerenciamento de Riscos Corporativos devem contribuir para a perenidade da organização, atendendo aos seus objetivos estatutários e estratégicos.




O risco é inerente a qualquer atividade na vida pessoal, profissional ou nas organizações, e pode envolver perdas, bem como, oportunidades.


Empreender significa buscar um retorno econômico-financeiro adequado ao nível de risco associado à atividade, na área de negócios, a consciência do risco e a capacidade de administrá-lo, aliados à disposição de correr riscos e de tomar decisões, são elementos-chave. Assumir riscos pode diferenciar empresas lideres, mas também pode levá-las a grandes fracassos.


A aplicação do conceito de risco no contexto empresarial requer a definição de indicadores como: geração de fluxo de caixa, valor de mercado, lucro, reclamações de clientes, quebras operacionais, fraudes, entre outros, associados aos níveis de volatilidade. As possibilidades tanto de ganho como de perda, podem ter causas de natureza externa como: ambiente competitivo, regulatório, financeiro ou de natureza interna: diferencial tecnológico, controles, capacitações, conduta.

É neste último item que gostaria de chamar a atenção dos Conselheiros de Administração.


A conduta/ação das pessoas que representam uma organização pode ser uma referência para o sucesso ou fracasso de um negócio. Poucas empresas expressam preocupação no conhecimento do perfil comportamental de seus executivos e de suas lideranças. E aqui, não falo somente do comportamento observável, mas sim da sua estrutura de caráter.


Avaliamos centenas de pessoas e o nível de desvio de caráter encontrado no grupo de executivos tem nos surpreendido, em uma pesquisa realizada em 2017, com uma amostra de 3.500 executivos, o índice encontrado é de 27%, dos quais 100% com desvios de conduta comprovadas através de auditoria.


Especificamos desvios de conduta como: desvios de valores com interesse pessoal, conflito de interesses com atividades que levam a ganho pessoal, conduta moral e ética, inclusive com maquiagem de resultados, dentre outros que comprometem a imagem da empresa e mais que isto, cria uma cultura de permissividade organizacional onde fragilizam os controles e os resultados apresentados.


Apesar deste indicador, observamos que algumas empresas ainda relutam em tomar decisões para o desligamento de executivos e a justificativa de alguns CEO´s é que estes executivos trazem resultados para o negócio. Ora, se há materialidade do desvio de conduta e também comprovada pela auditoria, uma ação imediata e contundente deveria ser a ordem e não uma discussão, inclusive com o sistema de consequências definido no código de ética. Pois o impacto na cultura organizacional é devastador, quando tal conduta não é restringida na empresa, pois indubitavelmente, outras pessoas da organização conhecem e essa conduta e a mensagem transmitida é de permissão para esses desvios, desde que tragam resultados.


Aspectos que podem impactar fortemente na perenidade empresarial, principalmente se as pessoas tiverem poder de deliberação dentro da organização.


Precisamos ajustar urgentemente tanto o filtro de seleção de executivos quanto mapear os executivos atuantes, porque normalmente, estes executivos trazem traços de grande influência e inteligência, os quais mascaram uma personalidade doentia, que pode ser reforçada pelo ambiente permissivo sem um sistema de consequências condizente.


Susana Falchi é diretor da HSD Recursos Humanos


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