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  • Foto do escritorRedação

2022 será um ano decisivo para reconstruir a Educação

Eleições abrem oportunidades para se debater planos de governo com ideias mais plurais e executáveis, dizem especialistas


No livro Pedagogia da Esperança, Paulo Freire escreveu que esperança é se levantar, construir e não desistir. É a ação de levar adiante e juntar-se com outros para fazer de outro modo. A obra de 1992 foi escrita num contexto notadamente sem esperança. Mas a referência continua necessária duas décadas depois, porque é preciso um ponto de partida para o processo de reconstrução do Brasil. É o que afirmam especialistas da área.



“Uma mudança é possível, mas é evidente que ela depende da educação como plano de governo, fator essencial para o desenvolvimento de um país inclusivo e com perspectivas”, diz Francisco Borges, mestre em Educação e consultor da Fundação FAT em Gestão e Políticas Públicas voltadas ao Ensino.

Na avaliação dele, o ano que fica para trás deve ser marcado pela sucessão de erros de uma gestão que promoveu retrocessos em todas as áreas, com uma sucessão de ministros, instituições arruinadas e o sucateamento de pesquisas. “Programas que necessitavam apenas de ajustes foram descontinuados ou modificados para pior, com viés de exclusão. Vide o caso do Prouni”, diz. “Na prática, é a padronização de modelos pedagógicos excludentes em todos os níveis e, por consequência, pouco eficientes”.


Os principais indicadores internacionais já apontam os prejuízos: após um longo período de estagnação nos resultados obtidos o país começa a regredir. Uma perspectiva para reverter a situação pode começar a se desenhar em 2022, destaca Borges, quando teremos oportunidade de discutir os planos de governo para um próximo mandato.


Corrobora com a avaliação, Ricardo de Jesus, especialista em Gestão, mestrando pela EAESP-FGV e sócio da MRD Consulting. “Não nos falta métricas que sinalizem adequadamente não só o que pode, mas o que deve ser feito, para melhorarmos o desempenho de nossos alunos na absorção de conhecimento, desenvolvimento de raciocínio e do uso de ferramentas de aprendizagem para que tenham autonomia em suas vidas e, desta forma, contribuam para um país melhor”, afirma.


Para ele, é um erro atacar as instituições como o Inep, que cumpre seu papel com competência ao subsidiar a formulação de políticas educacionais dos diferentes níveis de governo com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. “O que nos falta, portanto, é a execução de projetos que nos ajudem a sair desse profundo fosso”, diz.


Há unanimidade quando o assunto é a necessidade de mudança da gestão dos recursos para que se possa buscar melhores resultados comparativos, com mudanças que criem desafios possíveis para professores, coordenadores e profissionais do setor para reduzir o gap atual em relação a outros países que conseguiram mudar suas realidades, em um passado não tão longínquo. No setor público, sobretudo, é necessária uma administração que privilegie investimentos corretos para atender a maioria da população.


O professor César da Silva, presidente da Fundação FAT, especialista em análise de cenários de mercado e estrutura de Carreiras, alerta ainda que é preciso promover uma difusão do conhecimento numa base maior de pessoas. Além disso, promover o acesso à educação técnico-profissionalizante que possa gerar riquezas para o país.

“Que estejamos alertas para cobrar propostas concretas, apresentadas e debatidas dentro da nossa realidade: a de um Brasil plural e democrático, com acesso universal, mas com respeito à individualidade, aspecto vital para o direito à aprendizagem”, completa.

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